Sexualidade Infantil: Contribuição dos Pais                                                 voltar     
 
 

A sexualidade é inerente ao ser humano e está presente desde
o seu nascimento. O questionamento também começa desde
a tenra infância, e deve ser respondido de um modo claro e direto.


Segundo Roman e Steyer (2001): 

A sexualidade está presente no indivíduo desde o nascimento e não há como negar o fato com o desenvolvimento científico atual.
Devemos encarar
a criança da educação infantil também como um ser com uma sexualidade, que envolve desejo, busca de prazer, busca de conhecimento de si próprio e de seu corpo. Sexualidade é vida, é a energia que nos torna vivos (p. 141). 

Camargo (1999), ressalta que a noção de sexual surge entre os dois e os seis anos. Neste período as crianças querem saber sobre nascimento, reprodução, namoro, participam de jogos sexuais e não têm problemas em exibirem sua genitália. Tudo isso é feito de um modo espontâneo, pois ainda não têm censura, estão apenas tentando se descobrir e descobrir o outro e para isso fazem uso da brincadeira. Talvez a mais conhecida seja a do médico. Essas brincadeiras não têm impacto psicológico, as crianças não têm como objetivo uma relação sexual como pode parecer aos olhos do adulto. 

Como afirmam Roman e Steyer (2001), nos primeiros anos a criança se preocupa apenas com ela, à medida que vai crescendo, seu egocentrismo vai diminuindo o que a torna apta a se aperceber das necessidades e sentimentos dos outros. A criança começa a descobrir pessoas e coisas que a cercam e interagem com ela. Passa das simples sensações para pensamentos cada vez mais elaborados e complexos. Começa a se organizar internamente. As necessidades iniciais são de ordem fisiológica para depois progredirem para emocionais e psíquicas. A criança de dois a seis anos está muito interessada em conhecer-se a si mesma e ao mundo que a rodeia e não é diferente no que diz respeito à sexualidade. 

Seguindo a mesma linha de raciocínio, Gesell (1987), refere que, por volta dos 5 anos não perguntam muito sobre o aparecimento do bebê e a fantasia de que podem engravidar é freqüente, já por volta dos seis anos, a área de interesse se estende. Quer saber sobre sexo, casamento, gravidez, sexo oposto, o papel do sexo.... Procuram muito os pais para perguntarem sobre conversas que os mais velhos fazem, se não encontram respostas, seu interesse pode ser desviado, mas voltará por volta dos 8 anos. Também nesta idade acham graça a tudo que é relativo a banheiro, excreções e mostram à vontade por mostrar seus genitais.
Roman e Steyer (2001), observam ainda que esta é a tão conhecida idade dos porquês, estão explorando e tentando conhecer o mundo. Começam tentando conhecer o seu próprio corpo: porque sou diferente do outro? Para que servem anatomias diferentes? 

De acordo com Amaral (1997), a sociedade precisa tomar consciência, propiciar algumas possibilidades para a expressão e elaboração e aceitar a sexualidade como uma manifestação natural do ser humano. Alguns adultos tentam negar, outros reprimir e outros ainda punir estas atitudes, pois não entendem que isso faz parte do desenvolvimento das crianças e que as atitudes acima citadas podem causar sérios danos à vida sexual adulta. 

É função dos pais propiciar informação sexual aos seus filhos a partir do momento em que eles a solicitem, que vejam o toque como algo carinhoso e reforcem o quanto seu filho é amado. Salienta ainda que muito mais importante que a informação, é o modo como ela é passada para as crianças. A não obtenção de respostas ou a censura pode abalar o vínculo entre pais e filhos, originar culpa, vergonha, recusa à realidade sexual e gerar problemas futuros. 

Podemos observar que, apesar de atualmente circular muita informação referente ao assunto, ainda há muitos tabus, dúvidas, dificuldades em falar para as crianças. Isso demonstra que os adultos que lhes são próximos, não estão à vontade, que não gostam desse assunto e assim inibem sua curiosidade. 

Conforme vimos no artigo anterior escola e pais devem estar conectados uma vez que os dois espaços são complementares. No caso de dúvidas consultar um profissional qualificado pode ser de grande valia. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
AMARAL, L. A Influência da Escola no Desenvolvimento da Criança Pré-Escolar. Trabalho de Conclusão de Curso, Canoas, 1997. CAMARGO, A. Sexualidade(s) e Infância(s). A Sexualidade como um Tema Transversal. São Paulo: Moderna,1999. GESELL, A. A Criança dos 5 aos 10 anos. São Paulo: Martins Fontes,1987. ROMAN, E. D.; Steyer, V (org). A Criança de 0 a 6 Anos e a Educação Infantil: Um Retrato Multifacetado. Canoas: Editora Ulbra, 2001.