Na escola, mais especificamente nas turmas de Maternal e Jardim, frequentemente os professores percebem uma curiosidade sexual acentuada o que suscita desconforto para a turma e professores. Os comportamentos mais comuns são beijar na boca, dizer galanteios e ter atitudes e palavras não próprias à faixa etária.
A instituição pode ser um facilitador para que professores, auxiliares, pais e crianças falem sobre sexualidade, conheçam seu corpo e lidem com impulsos e descobertas próprias à etapa em que se encontram.
Relativamente aos professores, Roman e Steyer (2001), salientam que quando se fala em cuidador, pensa-se inicialmente em pai, mãe ou alguém muito próximo, mas a escola e, especificamente o professor, têm um papel importante, pois aqui terão vivências que as marcarão para sempre, uma vez que muitas vezes os pais não podem, não sabem ou não querem dar as informações necessárias. Estando a criança em formação, o papel do professor é muito importante, ele poderá oportunizar que a criança aprenda, se organize e se desenvolva de um modo satisfatório.
Para estes autores, ser professor e educador é interagir no desenvolvimento e dar significado à relação dele e da criança no processo de aprendizagem. Por isso a importância do professor ter bem claras as fases do desenvolvimento humano bem como o conteúdo significante para cada faixa etária. Um profissional qualificado sabe também desenvolver um conteúdo sério através de brincadeiras, contudo, advertem que:
Quem educa em sexualidade vê-se confrontado constantemente com sua própria sexualidade: se sobre ela muito se aprende, melhor se interagirá com seus educandos; se pouco se sabe ou pouco quer compreender, pior será sua interação educativa (p. 141).
Enfatizam ainda que o professor deve investir na sublimação mas:
(...) para tanto, é necessário que também ele tenha sido investido, internamente, desta mesma seqüência e ao deparar-se com o seu aluno, ainda na forma bruta, não se escandalize e o castigue, acuse, condene e o submeta. A escola deverá através do professor, ser aquele lugar onde a criança possa ser alguém livre de tensões excessivas e, portanto, capaz de ser o pesquisador e criador do futuro (p. 65).
A falta de respostas para as dúvidas da criança sobre sexo pode deixá-la com um sentimento de culpa e vergonha, perturbando seu desenvolvimento e levando-a a adotar uma resposta de recusa da realidade sexual.
É dever dos pais cuidar da educação dos seus filhos, contando sempre com o apoio da escola. As crianças devem ser estimuladas a colocarem suas dúvidas para que a educação sexual se dê de forma natural e integrada ao processo de aprendizagem. |
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Quanto á relação pais/escola, Bock (1996), reforça que a idéia de permitir que os pais se coloquem é muito importante, porém, muito difícil para eles até porque muitas vezes pensam que esse é um problema apenas do seu filho. A partir do momento em que a escola se mostra disponível a abordar o assunto, descobrem que os outros pais têm o mesmo problema e se tornam mais participativos.
Eis algumas perguntas que devemos fazer:
- Como pensam as educadoras e as auxiliares?
- Como lidam frente à curiosidade das crianças?
- Qual o peso da própria educação quando passam conhecimento para as crianças?
Apesar de polêmica, a sexualidade infantil deve ser abordada desde cedo, tanto no contexto escolar quanto no familiar ou em qualquer outro ambiente em que a criança esteja inserida. Alguns pais se assustam, mas negar a existência não resolve o assunto. Normalmente a escola é detentora de mais conhecimento nessa área e a mais habilitada a lidar com a situação, mas não deve, contudo, ser a única, uma vez que educar é também função dos pais.
Por vezes a instituição é o único local para obtenção de respostas, inclusive no âmbito sexual. Deve-se então propiciar espaços de discussão de assuntos pertinentes a pais, professores, escola, crianças e assim incluir todos no processo de educação de um modo mais saudável.
A escola não é o local onde somente deve ser transmitido o conhecimento, mas também se deve ficar atenta ao lado afetivo e social da criança e do adolescente tendo claro que o objetivo da escola é muito maior que do que informar é também formar.
A criança não se constitui por si só, necessita do outro e da relação gerada, por isso a importância da comunicação e da junção do esforço no que diz respeito a pais e professores.
Trabalhar em uma escola é um desafio face á riqueza e complexidade das relações. É função do psicólogo escolar promover saúde. Sua ação deve ser inter e multidisciplinar bem como integradora. Para isso deve circular por todos os ambientes para sentir o grau de satisfação e as necessidades da escola. O trabalho neste local deve ter como objetivo valorizar a prevenção primária e proporcionar um espaço saudável.
Referências Bibliográficas:
BOCK, V. Professor e Psicologia Aplicada na Escola. Porto Alegre: Kinder, 1996. ROMAN, E. D.; Steyer, V (org). A Criança de 0 a 6 Anos e a Educação Infantil: Um Retrato Multifacetado. Canoas: Editora Ulbra, 2001. |