A Digestão                                                                            voltar     
 
 

A Digestão é um dos mais complexos processos existentes em nosso organismo. Portanto discorrer sobre este assunto implicaria no conhecimento mais profundo da anatomia do sistema digestório, sua Fisiologia, conhecimento de processos bioquímicos existentes no organismo, bem como, o conhecimento das diferentes estruturas químicas e seus diferentes processos de transformação. Assim, sendo nos ateremos aos principais aspectos que podem elucidar o leitor leigo no sentido do entendimento deste importante mecanismo fundamental a manutenção da vida.

 


TEXTO: DR. GERSON GOMES DA SILVA
CRM 62495
 

      O Sistema Digestório se inicia na boca onde por meio da trituração [mastigação] os alimentos são fracionados em fragmentos cada vez menores facilitando assim a ação da saliva rica em água que tem a propriedade de tornar mais fluidos os elementos, muco capaz de lubrificá-los e da enzima ptialina ou amilase salivar favorecendo a primeira quebra do amido [carboidrato] presente no alimento ingerido, assim como, tornando uma massa macia chamada de Bolo Alimentar importante passo para a deglutição. A língua é um importante elemento na condução tanto do processo mastigatório quanto no processo da deglutição a partir do encaminhamento do bolo alimentar para a região da orofaringe onde sensores estimulam o reflexo da deglutição. 

      Uma vez deglutido o Bolo Alimentar ganha o esôfago órgão tubular essencialmente muscular capaz de promover a propulsão ritmada [peristaltismo] do mesmo, através de todo o seu trajeto, do pescoço onde se inicia, passando pelo tórax, atravessando o hiato esofágico no diafragma e o esfíncter inferior do esôfago até encontrar a câmara gástrica ou estômago na cavidade abdominal. O esôfago produz muco que facilita a progressão do bolo alimentar e ao mesmo tempo protege a mucosa de agressores químicos presentes nos alimentos ou fruto do refluxo ácido proveniente do estômago e alcalino proveniente do duodeno. Como já descrito na porção inferior do esôfago sua musculatura apresenta uma especialização que funciona como uma válvula [ Esfíncter Inferior do Esôfago] que permite preferencialmente o fluxo esôfago-gástrico. 

      No Estômago o bolo Alimentar desce pela pequena curvatura e começam a encher o antro, a distensão da parede desta região irá liberar um Hormônio chamado Gastrina, este por sua vez promoverá a produção e a liberar de Ácido Clorídrico e Pepsina, bem como, movimentos de contração das paredes gástricas e assim vai receber a segunda etapa da digestão, basicamente de proteínas, algumas poucas gorduras pela Lípase Gástrica e a Coagulação do Leite por meio da caseiase favorecendo a quebra das cadeias da [caseína] proteína do Leite. O tempo para que este processo se dê é variado desde 40 minutos até horas dependendo do composto ingerido, entretanto, após concluído o conteúdo se transforma em uma massa denominada Quimo. 

      Uma vez concluída esta etapa, o Quimo deixa a câmara gástrica pela abertura do Piloro esfíncter entre o estômago e o Duodeno.
      O Duodeno, recebe este nome por ter 12 dedos de comprimento, ao entrar em contato com suas paredes o quimo com pH ácido e rico em gorduras, excita a liberação da colecistoquinina hormônio que auxiliará a contração da vesícula biliar com conseqüente liberação da Bile [secreção hepática formada por - Colesterol, Sal Biliar, Eletrólitos e Água] na Luz Duodenal. A bile irá promover a emulsificação das gorduras fracionando suas moléculas em tamanho cada vez menor facilitando assim, a ação da Lípase presente no sulco pancreático dando início a digestão. Ainda a ação da secretina estimulada pelo pH ácido do quimo atua sobre o pâncreas favorecendo a excreção do suco pancreático contendo; 

- Bicarbonato de Sódio com a missão de neutralizar o pH ácido do Quimo protegendo assim a mucosa intestinal. 
- Lípase como mencionada anteriormente enzima fundamental na digestão de gorduras. 
- Quimiotripsina e a Tripsina na digestão de proteínas. 
- Amilase para a digestão de carboidratos. 

      No Intestino Delgado após a ação do suco bilio-pancreático fracionando as moléculas de gordura, proteínas e carboidratos receberão a ação de enzimas ao longo de toda a sua extensão promovendo a digestão da maltose, a lactose, a sacarose e proteínas, alem de sais minerais, vitaminas e demais nutrientes. A movimentação dos alimentos pelo delgado se deve aos movimentos peristálticos e a adição de água que vai favorecendo a diluição das partículas e sua assimilação. Assim percorre o conteúdo entérico todo o jejuno e íleo até a vávula íleo-cecal, esfíncter que separa o delgado do intestino grosso. 

      No Intestino Grosso o resíduo entérico perde gradualmente água para a parede concentrando assim o resíduo digestivo mais células descamativas de toda a parede intestinal, bem como bactérias que habitam o colon. A medida que se aproxima do colon esquerdo vai ganhando consistência até formar o bolo fecal ou fezes. Na região do reto o contato das fezes com suas paredes dá origem ao reflexo evacuatório agora com contrações mais vigorosas até sua exoneração pelo ânus. 

      Deste modo esperamos de um modo simplificado tê-lo informado sobre o processo digestivo.